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Após a greve dos caminhoneiros ficou evidente nossa dependência sob vários aspectos. E se faltasse água a partir de hoje onde estamos acostumados a tê-la? Parece absurdo, mas não é. O manejo sustentável das águas ainda existentes no planeta e seus ecossistemas são essenciais para a nossa sobrevivência. Para abordar este cenário, o segundo dia da 7ª edição do Seminário Cidade Bem Tratada trouxe ao debate ‘A situação das águas: novos conceitos de drenagem, tratamento e aproveitamento de efluentes’.

Para palestrar em Porto Alegre, o evento trouxe o presidente da Comissão de Ética do Conselho Nacional de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Demetrios Christofidis. Engenheiro de formação, ele é reconhecido pela criação do conceito hidroética. Na sua concepção, é preciso perceber a água dentro de uma visão holística (integral) e ecossistêmica, integrada inclusive com a saúde humana. Pode-se dizer que é a união entre água, ética e meio ambiente. 
 
Para ele, há que se pensar na água e na sua escassez quantitativa, qualitativa e na não percepção da dinâmica hídrica. Em outras palavras, Christofidis defende que, para tratar bem as cidades, é fundamental adotar uma abordagem transdisciplinar, percebendo a água além de sua forma tradicional. “Arquitetos e engenheiros devem andar pela cidade para construírem seus projetos conforme o curso da água da cidade. Temos que respeitar a água e a maneira como ela se relaciona com o lugar. Se não for assim, ela faltará”, alerta. 
 
José Bueno, arquiteto e urbanista pela USP-SP, contou sobre o projeto Rios & Ruas na arquitetura das desconstruções. Co-fundador da iniciativa, ele percebeu que os rios de São Paulo estão “escondidos” pelas edificações. Bueno e o sócio, Luiz de Campos Jr, começaram a “desenterrar” esses rios pelas ruas da cidade e acabaram conquistando o apoio e ajuda das comunidades que viviam, sem saber, ao entorno daquela água – que passou a ser cuidada pelos moradores.
 
“São Paulo tem 300 rios e vivemos em um clima parecido com as características de deserto. A natureza trabalha com descentralização. Quanto menos controle exercido em um sistema, mais a sociedade se empodera daquele espaço, exatamente como o projeto apresentado pelo Bueno”, comentou Guilherme Castagna, engenheiro civil e permacultor, divulgador dos Jardins de Chuva.
 
Para Castagna, o último painelista da manhã, uma das alternativas diante da nossa situação atual frente ao meio ambiente é buscarmos soluções pequenas, como as antigas cisternas e os jardins de chuva, que podem estar justamente conectados a alguma calha. Em São Paulo, o Largo das Araucárias foi revitalizado e recebeu a implantação de um dos primeiros Jardins de Chuva do Brasil. A ideia permite que a área tornada verde recarregue o lençol freático, melhore o conforto térmico e a umidade em um ambiente que pode servir para a produção de alimentos e/ou folhagens.  
 
Durante a tarde haverá o Painel III – Energias Renováveis. 

Faz tua inscrição gratuita pelo site e aproveite os debates e reflexões da 7ª edição do Cidade Bem Tratada, no auditório do Ministério Público, na Capital. Vem prá cá!