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Arquiteto e urbanista convidado do Cidade Bem Tratada falará do projeto paulista Rios & Ruas durante seminário

Em um conhecido texto, o escritor Rubem Alves afirma existirem pessoas cisternas e pessoas fontes, havendo, segundo ele, também uma educação-cisterna e uma educação-fonte. A primeira, diz o escritor, quer encher o buraco chamado aluno com uma água que não brota dele. “A educação-fonte não quer colocar água dentro do aluno. Quer fazer brotar a fonte escondida dentro dele”, escreve.

José Bueno é desses indivíduos fonte, uma nascente que retira de um rico reservatório de saberes pessoais a quantidade suficiente de informação para gerar de um fio de vivências um rio de conhecimento.

Arquiteto e Urbanista pela USP-SP, o convidado do Cidade Bem Tratada 2018 e faixa-preta em Aikido. Professor da arte marcial, ele reverbera o propósito da filosofia, que é a restauração da harmonia e do equilíbrio em situações desafiadoras.

No Seminário, Bueno falará durante o painel “A Situação das Águas: novos conceitos de drenagem, tratamento e aproveitamento de efluentes”. Ele apresentará o projeto Rios & Ruas, criado em São Paulo pelo Instituto Harmonia, Educação e Sustentabilidade, do qual é fundador, fruto de uma parceria com o educador Luiz de Campos Jr.

“Vou levar a Porto Alegre a temática do saneamento mental, o saneamento da percepção. Precisamos limpar o modo como as pessoas olham para a sua cidade, como lidam com ela. O Rios & Ruas atua com base nesse conceito. Quando mudarmos a percepção de paulistanos e milhões de gaúchos, a gente muda uma cidade. Não é apenas a questão das obras, de infraestrutura, de engenharia, é um trabalho cultural que tem de ser desenhado”.

Bueno destaca que os rios e suas nascentes existem para tornar as cidades mais humanas, sustentáveis e harmônicas, portanto, não devem ser sugados ou escondidos pela paisagem do desenvolvimento que não dialoga com o entorno, deixando-os soterrados pelas construções. “Essas águas têm de estar presentes na paisagem urbana”, defende.

Em Porto Alegre, ele irá abordar duas das frentes com as quais atua, todas dialogando com um olhar mais sistêmico, o da ecologia profunda: a formação de novos educadores e lideranças, por meio de uma abordagem que apoia não o embate, mas o caminhar junto, o diálogo entre comunidade, educadores, empreiteiras, organizações civis e públicas – utilizando aí a filosofia do Aikido –, e a nova cultura em relação às águas, onde entra o Rios & Ruas, do qual é co-criador.

Fora do seminário e da programação, ele tem investido fortemente no projeto 5070, que explora o potencial criativo da comunidade com idade entre 50 e 70 anos. “Nele, destacamos o potencial desse período de vida, que tem muito a contribuir pois não terminou o jogo, como muitos pensam. Eu moro nessa casa, nessa faixa etária”, diz.