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Professora da Univates participa da primeira mesa do Seminário Cidade Bem Tratada


A professora do Programa de Pós-Graduação em Ambiente e Desenvolvimento e do PPG em Sistemas Ambientais Sustentáveis da Univates e pós-doutora em Direito pela Universidade de Sevilla Luciana Turatti é uma das palestrantes do Seminário Cidade Bem Tratada. Pesquisadora na área de governança hídrica, ela apresenta o tema “Crise hídrica ou de informação?” e promete suscitar uma reflexão sobre a efetivação do direito à informação.

 
Ao investigar como o Comitê Taquari-Antas se comunica com a sociedade, Luciana chegou à conclusão de que a difusão das informações precisa ser qualificada e transparente. “Na prática, a informação de caráter ambiental é muito técnica e não se consegue alcançar a população para que esta tenha sua participação assegurada”, ressalta.
 
Falta de políticas e recursos
 
Uma das funções dos comitês de bacia é, justamente, comunicar sobre a situação das águas e promover a participação da sociedade na busca de soluções. Isso, porém, é mais complexo do que se imagina. Os documentos geralmente divulgados pelas entidades se restringem aos planos de bacia, às atas de reuniões e regimentos. “Dentro desses documentos há informações importantes, como o nível de qualidade da água, mas a linguagem não é acessível ao grande público”, aponta a professora.
 
A comunicação entre os comitês e a sociedade depende fundamentalmente, segundo Luciana, de infraestrutura. Ela enfatiza que a falta de políticas públicas para o setor por parte do Estado incide sobre a escassez de recursos para, por exemplo, a contratação de assessoria de imprensa. “O Estado não apoia esse trabalho” é uma das queixas que apareceu durante as entrevistas feitas para a pesquisa.
 
Discurso da mídia
 
Por falta de recursos, os órgãos acabam reproduzindo o discurso da grande mídia. Prova disso é que em determinado momento o site do Comitê Taquari-Antas saiu do ar e a entidade passou a se comunicar pelo Facebook, pois não havia quem resolvesse o problema técnico. 
 
A falta de tratamento da informação também ocorreu em São Paulo durante a última crise hídrica, entre 2014 a 2016. Os comitês de bacia divulgaram no período mais de 1,7 mil notícias. Porém, nenhuma delas havia sido produzida pelos órgãos. Eram reproduções da Folha de S. Paulo, Estadão, G1, entre outros. “Isso acaba legitimando esses veículos e até mesmo fake news. Os canais de comunicação dos comitês viram apenas bancos de informação, mas do que é produzido fora”, explica Luciana.
 
Linguagem clara e atraente
 
As sugestões para o problema passam, então, pela adoção de uma linguagem mais clara e atraente para o grande público e a geração de informação própria. Afinal, como observa a professora, apenas quando toma conhecimento do problema é que a sociedade passa a se mobilizar, como no caso da divulgação sobre a contaminação da água por agrotóxicos. “Meus alunos só deram atenção à questão da qualidade da água, quando souberam disso pela mídia. Mas os comitês já tinham essa informação há muito tempo”.
 
Um exemplo de comunicação bem sucedida, citado pela professora, é a campanha da ONU Meio Ambiente contra os canudos de plástico. Com informações claras passadas pelo Instagram, a Organização não só chamou a atenção da população, mas conseguiu estimular a redução do uso e a criação de leis municipais que proíbem a oferta de canudos em estabelecimentos comerciais. “Governança é isso: incluir todos os atores no processo de gestão. Para isso é preciso que todos tenham a informação que permita a participação”.