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A bioeconomia é uma ciência recente, que busca o desenvolvimento econômico de forma sustentável, podendo ser uma alternativa para a crise socioeconômica pós-pandemia

As mudanças climáticas têm entrado cada vez mais nas agendas de gestores públicos e privados porque impactam os recursos naturais e, diretamente, a economia. O termo sustentabilidade tem pautado rodas de discussões virtuais nas academias, governos, empresas que trabalham no setor primário e entre ambientalistas. E os consumidores, cada vez mais exigentes e preocupados com uma forma de desenvolvimento sem impacto e em compras conscientes, têm feito alguns players  acelerar a forma de investimentos ‘verdes’.

Recentemente, o setor empresarial brasileiro protocolou um comunicado em defesa da agenda do desenvolvimento sustentável e combate ao desmatamento na Amazônia junto à Vice-Presidência da República e ao Conselho Nacional da Amazônia Legal. O documento é assinado por  presidentes de 40 companhias e grupos empresariais dos setores industrial, agrícola e de serviços e de quatro importantes organizações: Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS); Associação Brasileira do Agronegócio (Abag); Indústria Brasileira da Árvore (Ibá), e Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetal (ABIOVE).

O objetivo é chamar a atenção sobre o impacto nos negócios e a imagem negativa do Brasil no exterior em relação às questões socioambientais na Amazônia, como o desmatamento ilegal e o aumento em áreas queimadas, por exemplo. Também pedem medidas urgentes para minimizar as reações de investidores e consumidores estrangeiros que impactam o desenvolvimento de negócios e projetos vitais para o Brasil. Existem ainda outros pontos prioritários de ação, como a inclusão social e econômica de comunidades locais para garantir a preservação das florestas; a minimização do impacto ambiental no uso dos recursos naturais, a valorização e preservação da biodiversidade como parte integral das estratégias empresariais; a adoção de mecanismos de negociação de créditos de carbono; o direcionamento de financiamentos e investimentos para uma economia circular e de baixo carbono e pacotes de incentivos para a recuperação econômica dos efeitos da pandemia da COVID-19, condicionada a uma economia circular e descarbonizada.

Uma alternativa sustentável

A bioeconomia é uma ciência recente, que busca o desenvolvimento econômico de forma sustentável. É resultado de pesquisas e inovações na área das ciências biológicas, sendo um modelo de produção possível para conservar a diversidade biológica e reduzir a geração de resíduos, utilizando os recursos naturais de maneira que não extrapole a capacidade de regeneração do ambiente. Mas não envolve apenas impactos na área ambiental, pois presa por diminuir a desigualdade social.

Na mesma direção de gerar empregos e renda no modelo da bioeconomia, três dos maiores bancos privados do Brasil estruturaram um plano para contribuir para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Dentre as medidas prioritárias para a região estão a conservação ambiental e o desenvolvimento da bioeconomia; o investimento em infraestrutura sustentável e garantia dos direitos básicos da população da região amazônica. A proteção da floresta também é prioridade e devem ser feitas ações fundamentais para que se intensifiquem medidas efetivas neste sentido.

Mas para o Brasil poder ter um modelo de desenvolvimento realmente sustentável é preciso investir em pesquisa e repensar a escolha por tecnologias utilizadas hoje. Terá ainda que desenvolver alternativas para conseguir aumentar e manter a capacidade de produção sustentável. Assim, o país deverá conservar o meio ambiente, investir em cadeias de produção sustentável, onde inclua populações vulneráveis, como as comunidades locais, ribeirinhas, quilombolas, indígenas e formadas por mulheres chefes de lares, além de incluir o cuidado de usar os recursos naturais sem comprometer sua preservação para as próximas gerações. Este movimento por um modelo econômico mais igualitário, respeitando todas as formas de vida (animais, vegetais e humanos), está delineado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODS, criados pela Organização das Nações Unidas em 2015 e que precisam ser observados e respeitados pelos governos de todos os países. Em especial os destacamos os ODS 6, 7, 8, 9, 10, 11, 13, 14 e 15 que estão em consonância com o que citamos acima. (Leia mais sobre os ODS em https://nacoesunidas.org/pos2015/ )

Colaborar ainda mais no sentido de ampliar o leque de opções em busca de meios para alcançar a sustentabilidade nos negócios e diminuir impostos, neste país que tem uma das maiores cargas tributárias do mundo, motivou o Grupo de Trabalho da ‘Reforma Tributária Sustentável’, a criar um documento com várias propostas. O paper foi entregue a parlamentares que coordenam a Frente Ambientalista e outras ligadas ao assunto no governo.

Na análise feita por este Grupo de Trabalho, destaca-se que um grande número de impostos e taxas incidem justamente sobre o setor produtivo e que isso emperra o desenvolvimento do país. O Brasil, como outros países do mundo, passa por desafios ambientais e climáticos que podem impactar muito rápido e negativamente a economia. Por isso, é preciso se reinventar e propor novas saídas para a crise socioeconômica. Portanto, uma reforma tributária sustentável é possível e poderá contribuir para redução gradativa da carga de impostos, tornando o sistema mais simples e socialmente justo. 

Startup de sucesso em bioeconomia

Para o Brasil, que possui a maior biodiversidade do planeta, a bioeconomia pode ser uma alternativa para a crise socioeconômica no pós-pandemia. Todas as regiões brasileiras têm potencial para desenvolver um modelo mais sustentável de uso dos recursos naturais. Na região amazônica, destacada pelas dimensões territoriais,  startups utilizando esta forma inovadora e sustentável dos recursos biológicos renováveis ou biomassas já são realidade.

É o caso da Biozer da Amazônia, referência em bioeconomia e a primeira do segmento de cosméticos naturais amazônicos a ter a certificação Halal. O selo atesta que o processo produtivo de todos os itens da empresa respeita e estimula a ética e a cultura do consumidor, com o objetivo de levar cosméticos naturais e veganos com parâmetros internacionais de qualidade. Os produtos são 100% veganos, nativos e amazônicos, sem testes em animais.

A Simbioze evidencia a importância do extrativismo local como elo principal entre a indústria e a floresta, mostrando suas peculiaridades, sazonalidade e características. Por isso, junto ao Cidades Florestais/IDESAM proporciona o desenvolvimento de mini usinas no interior do estado do Amazonas (Carauari, Lábrea, Silves, Apuí e RDS Uatumã) contribuindo com treinamentos de boas práticas de fabricação - BPF, segurança no trabalho e gerenciamento de resíduos. Assim, melhora a qualidade de trabalho e matérias-primas, além de ressaltar a importância dos extrativistas para a manutenção da floresta ‘em pé’.

 

Entrevistamos Caroline Fragoso Pacheco da Silva - Diretora de Marketing e Comunicação da SIMBIOZE AMAZÔNICA

1. Como iniciou o trabalho da Biozer da Amazônia, quando e como foi criada a marca Simbioze Amazônica?

O Trabalho da Biozer da Amazônia no mercado iniciou-se com a criação da marca “SIMBIOZE AMAZÔNICA”, de fato a etiologia da palavra traz a evidência em interação benéfica em todas as partes envolvidas. Os empreendedores Domingos Amaral Neto (Founder) e Danniel Pinheiro (Co-Founder) criaram a marca com o intuito de levar saúde e beleza através de cosméticos naturais e veganos, e mais que isso englobar o espaço no qual estamos inseridos, a Amazônia. A marca nasce para levar um produto verdadeiro amazônico e natural, com rastreabilidade, transparência e certificação. No final do mês de novembro/2019 a marca obteve a certificação HALAL, uma certificação reconhecida mundialmente que atestam que o processo produtivo de nossos produtos respeita e estimula a ética e a cultura do consumidor que busca produtos confiáveis e com credibilidade validada globalmente, se tornando a primeira marca brasileira a fabricar cosméticos naturais amazônicos com a certificação HALAL. Esta certificação será válida para a nossa inserção no mercado internacional. Pois acima de tudo, a nossa missão é levar a Amazônia de uma forma Premium para o Brasil e o mundo, girando a economia em todos os pontos da cadeia produtiva.

2. O modelo atual de produção e consumo é insustentável para o planeta. Como é para a empresa ser referência em bioeconomia?

Empreender na Amazônia possui as suas dificuldades e peculiaridades. Temos que lidar com diversos aspectos econômicos que refletem diretamente no produto e naquilo que podemos e iremos oferecer ao nosso cliente. Uma das viabilidades que encontramos é justamente a valorização do trabalho local, onde a maioria dos insumos e matérias primas são de comunidades ribeirinhas e cooperativas no interior da floresta amazônica. Nossa referência está em saber lidar com a nossa própria região de forma com que facilitamos para que este processo seja feito. Estamos realizando um trabalho em parceria com o IDESAM e SEBRAE-AM, auxiliando cooperativas do interior do estado do Amazonas (Carauari, Lábrea, Silves, Apuí e RDS Uatumã) com treinamentos de Boas Práticas de Fabricação-BPF, segurança no trabalho e gerenciamento de resíduos, melhorando assim a qualidade de trabalho e das matérias-primas, além de evidenciarmos a importâncias dos extrativistas para a manutenção da floresta de pé.

3. Qual importância do modo de produção e extração dos insumos utilizados nos produtos em nível ambiental e social para a Biozer? Fale sobre as certificações da empresa.

Mais que importante, esse ponto da cadeia é essencial. Entendemos que a melhor pessoa para saber de cada matéria-prima é o próprio ribeirinho, ou pessoas que de fato vivem, cultivam e têm a floresta como seu lar. Envolver e valorizar essas pessoas faz com que todo o processo seja preservado, desde a sazonalidade da floresta até a qualidade da matéria-prima.  A sustentabilidade para a Simbioze é mais que um processo ambiental e só faz sentido quando equilibramos os aspectos sociais, ambientais, culturais e econômicos em uma mesma escala de prioridade.

4. Qual o impacto da Pandemia do Covid-19 no momento atual da Biozer e como prevê as vendas on-line (loja virtual) para o ano de 2021?

No atual momento atendemos à todas as exigências da OMS, deixamos as visitas da comunidade suspensas e demos um apoio mesmo que à distância com todas as comunidades parceiras. Na fábrica restringimos alguns acessos, mas conseguimos manter 100% de efetivação de nossos funcionários, elencando o trabalho e funções à distância em alguns setores. Nossa loja virtual obteve um aumento significativo nas vendas e mantivemos o portifólio de produtos. Alguns lançamentos e ações tiveram que ser adiadas, como por exemplo o lançamento da nova linha de limpeza em um evento internacional, mas a mesma já está sendo programada para ter um novo formato de veiculação.

5. Considerações finais

Para nós coerência é a palavra de ordem e um de nossos pilares é a sustentabilidade, por isso nossas embalagens são feitas com materiais recicláveis e, ainda assim, contribuímos para o controle da destinação. O EuReciclo é um selo que certifica a logística reversa das embalagens. Possuímos um plano de reciclagem em até 100% de todo material produzido em toda nossa cadeia de produção. Estimulamos o consumo consciente, pois se faz bem para natureza faz bem para gente!
A Simbioze Amazônica é a marca de cosméticos da Biozer da Amazônia (startup amazonense de bioeconomia).  Está instalada no CIDE (Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial) e tem um importante papel junto com seus demais parceiros. Entre eles aproximar o setor acadêmico, centros de pesquisa e o mercado.
A Biozer é uma das empresas brasileiras que entraram firme no mercado crescente da bioeconomia. Proporciona tanto um ecossistema de sentidos amazônicos para cotidiano dos clientes, quanto o desenvolvimento local para as pessoas que fazem parte da cadeia de valor. Essa é uma nova tendência global, o consumo de produtos naturais, veganos e com comprometimento ambiental.

*  Jorn. Esp. Cris Guimarães MTB 11.145
Esses e outros temas serão discutidos na 9ª edição do SEMINÁRIO CIDADE BEM TRATADA. Inscreva-se e participe desse debate!


Serviço
O que: 9º Seminário Cidade Bem Tratada
Quando: 04/11/2020
Horário: das 8h às 18h
Onde: Edição virtual, com transmissão pelo nosso canal no Youtube e página no Facebook.
Inscrições gratuitaswww.cidadebemtratada.com.br
Informações para imprensa: Coordenação CBT (51) 998058017
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