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Conselheiro do Fundo Verde para o Clima da ONU alerta: não existe “planeta B”
 
Quando não são bem planejadas, as cidades trilham o caminho que pode parecer mais fácil para o desenvolvimento, que é o da adoção de combustíveis fósseis, fontes não-renováveis de energia e modais de transporte não-coletivos, colaborando fortemente para o aquecimento global. 
O caminho contrário a esse modelo é o a descarbonização das cidades, tema que será apresentado no Seminário Cidade Bem Tratada pelo mestre em regulação da Indústria da Energia e conselheiro no Grupo Consultivo do Setor Privado do Fundo Verde para o Clima (Green Climate Fund) das Nações Unidas (ONU), o engenheiro mecânico Aurélio de Andrade Souza. Sua experiência acadêmica e profissional têm como ênfase a geração de energias elétrica e térmica, atuando principalmente com energia renovável, com ênfase em energia solar térmica, fotovoltaica, eólica e energia da biomassa (biogás).
 
Sua experiência como consultor internacional nas áreas de energia e eficiência energética para organizações como o Banco Mundial, BID, GIZ (Alemanha), Usaid/MLO e Usdoe (Estados Unidos), Fundação Chile, WWF-Brasil, dentre outros, lhe deu uma certeza: “Não existe um planeta B, já que todos os nossos dejetos, impactos e emissões vão para o mesmo destino final, que é a atmosfera”. 
 
Souza destaca que a emissão de carbono contribui para uma cidade mais poluída, suja, com taxa de emissão de carbono muito alta. “O planejamento oposto a isso permite criar uma cidade mais limpa e menos carbonizada”, defende. 
 
A questão política é apontada por ele como principal entrave para que as cidades se desenvolvam sob a ótica da sustentabilidade. Por isso, diz, é preciso sensibilizar os tomadores de decisão a assumirem compromissos de implantação de políticas públicas voltadas para a descarbonização. Entre elas, estão a adoção de um planejamento com definições a médio e longo prazo, como a substituição de fonte combustível nos meios de transporte coletivo por modelos que gerem menos emissões, bem como o fomento a políticas de geração distribuída de energia, a autossuficiência energética nas repartições, o incentivo à medidas de redução da demanda energética, entre outras iniciativas. 
 
Com 24 anos de experiência no desenvolvimento de negócios e projetos no setor de energia renovável, o pesquisador aponta que os critérios da ONU para cidades que impactem menos o meio ambiente passam pelo uso de veículos elétricos, busca por fontes de energia renováveis (como a solar, eólica e biomassa) e a adoção de mais áreas verdes nos centros urbanos. 
 
Além das escolhas governamentais, Souza alerta também que cada cidadão deve contribuir com ações para atingir a decarbonização:
“Olhar o selo de eficiência energética dos produtos, investir em fontes renováveis de energia e deslocar-se de bicicleta quando possível são algumas atitudes que cada cidadão pode tomar em benefício das cidades. Já os entes públicos devem dar o exemplo, afinal é o nosso dinheiro, dos nossos impostos, que está sendo mal aplicado”, completa. 
 
Entre os exemplos de cidades bem tratadas, que poderiam inspirar Porto Alegre, ele cita a capital paranaense de Curitiba, a Cidade do Cabo, na África do Sul, e Copenhagen, na Dinamarca, referência no uso de bicicletas. Na lista, inclui ainda Palmas, no Tocantins, onde há uma legislação que reduz imposto de quem investe em aquecimento solar. 
 
Entre os maus exemplos estão grandes centros urbanos com muita circulação de veículos movidos a combustíveis fósseis, como a Cidade do México, Nova Deli, na Índia, e São Paulo.
 
Foto: Raquel Amsberg/TVE-RS