Notícias

A 7ª edição do Seminário Cidade Bem Tratada foi aberta pelo coordenador do evento, Beto Moesch, nesta segunda-feira, 11 de junho, no auditório do Ministério Público do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Resíduos sólidos, água e energias renováveis são os temas centrais dos painéis que se encerram na quarta-feira.

Moesch agradeceu a participação de autoridades da iniciativa privada, de órgãos públicos e de representantes de trabalhadores. “O termo sustentabilidade se banalizou. Porto Alegre tem geração de lixo per capita de 1,2 kg, enquanto que em outros países na Europa a média já está abaixo de 1 kg per capita”, provocou.
 
Segundo ele, os setores de embalagens, medicamentos e construção civil ainda não avançaram na política de logística reversa. Para fomentar a discussão, Moesch listou alguns fatos polêmicos. “Quando vamos despertar para o fato de que a natureza é a melhor tecnologia que existe? Quando vamos dialogar com a natureza? As calçadas seguem sendo feitas de basalto! Por que tanta resistência em captar água da chuva? O crescimento dos agrotóxicos não piora a qualidade das águas? E há um projeto de lei para regulamentar o uso dos agrotóxicos! Sustentabilidade passa por não gerar passivos. Por que insistir no carvão no RS  se temos sol em abundância? Energia solar não precisa de licença ambiental”.
 
Após, representando o Ministério Público, o promotor Daniel Martini, anfitrião do Seminário, enalteceu a importância do evento e a atuação do MP na preservação do meio ambiente. Em seguida, falou o diretor do Banco Regional de Desenvolvimento (BRDE), Luiz Noronha, citou o programa BRDE Produção e Consumo Sustentáveis. Conforme ele, projetos que promovem a gestão ambiental eficiente e o desenvolvimento sustentável têm acesso a crédito facilitado e assessoria do banco para saírem do papel.
 
“O impacto do meio ambiente é decisivo na saúde das pessoas. As campanhas para doenças respiratórias poderiam ser mais raras se a gente cuidasse melhor das questões ambientais. As 400 vilas de Porto Alegre precisam de ideias disruptivas”, disse o vereador Tiago Duarte, representando a Câmara Municipal da Capital.
 
Já o secretário do Meio Ambiente de Porto Alegre, Maurício Fernandes, informou que a prefeitura tem a intenção de implantar a política de logística reversa. Ele desafiou o público a encontrar um arroio limpo na cidade. Ainda licenciamos locais com fossa, o que é falta de planejamento. Temos que enfrentar o tema do esgoto. Geraríamos R$ 107 mil ao dia se melhorássemos nossa separação dos resíduos.
 
Catador de lixo na infância, o deputado federal Carlos Gomes (PRB-RS), vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, acredita que o atraso do Brasil no assunto é devido a cultura. “A quarta maior atividade econômica da Alemanha está neste setor gerando 70 bilhões de euro ao ano. Nós geramos muito mais e não transformamos isso em produtos! Não há matéria-prima que não possa ser reaproveitada”, afirmou o deputado.
 
Deputado Zé Nunes (PT) representou a Assembleia Legislativa do Estado e comentou sobre fontes renováveis: "cada um de nós pode produzir energia, por isso precisamos de políticas de minigeração de energia”. “Sugiro ao deputado Zé Nunes batalhar pela proibição do aterro sanitário, como fez a comunidade europeia. Isso traz um dano ambiental muito significativo”, sugeriu Ana Pellini.  A secretária da pasta gaúcha do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável detalhou os programas estaduais em operação, finalizando a abertura oficial da 7ª edição do Cidade Bem Tratada.
 
A seguir informações sobre o primeiro painel do evento.