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O editor de Conteúdo do Museu do Amanhã e colaborador de O Eco, Emanuel Alencar, é um dos palestrantes do 8º Seminário Cidade Bem Tratada de 2019. Jornalista formado em 2006 pela Universidade Federal Fluminense (UFF), trabalhou nos jornais O Fluminense, O Dia e O Globo, no qual ficou por oito anos cobrindo temas ligados ao meio ambiente. Tem pós-graduação em Gestão Ambiental e mestrando em Engenharia Ambiental pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

No Seminário, Alencar vai propor uma conversa sobre mídias e sustentabilidade. "Muitos são os desafios das megacidades contemporâneas, e as diferentes plataformas de comunicação precisam comunicar a pauta socioambiental com rapidez, profundidade e, ao mesmo tempo, de maneira sedutora e agradável", diz o palestrante.
Leia a entrevista que o Cidade Bem Tratada fez com Emanuel Alencar e saiba mais sobre o assunto.
 
CBT - Qual a sua avaliação sobre a forma como são passadas as informações relacionadas à pauta socioambiental?
 
Emanuel Alencar - A pauta socioambiental nunca foi tão necessária, e percebo um interesse maior das pessoas em debaterem a questão em função das sinalizações do governo Jair Bolsonaro. A mídia passa por grande transformação, e o jornalismo ambiental precisará ser mais ágil ao fazer conexões com as outras áreas de conhecimento para ganhar corações e mentes. Em saneamento, por exemplo, não basta dizer que a maioria dos rios brasileiros está extremamente poluída. Isso todo mundo sabe. Precisa fazer um paralelo com a saúde pública, indicar que é o filho do leitor que está sob risco de pegar uma doença. A pauta socioambiental é evidentemente insuficiente. Mas as mídias alterativas, fora do mainstream, ganharão cada vez mais força. Já temos hoje portais e profissionais especializados na temática e fazendo trabalhos fantásticos, como O Eco, Agência Pública, #Colabora, Intercept. Agora, é preciso entender que há questões conjunturais que representam enormes entraves. Pesquisa do Instituto Paulo Montenegro, de 2018, aponta que apenas 22% dos brasileiros que chegaram à universidade têm plena condição de compreender textos e se expressar. Nunca se escreveu tanto, tão mal, e nunca se interpretou tão erradamente.
 
CBT - Quais os desafios relacionados a essa comunicação?
 
Emanuel Alencar - Como furar a bolha de audiência? Portais bem estruturados e com uma narrativa definida e baseada nas pautas socioambentais têm muita dificuldade de ir além do público de classe média alta, com mestrado e doutorado em instituição internacional. As narrativas acabam sendo nichadas. Outro desafio é como atingir um grande público com financiamentos reduzidos e um cenário no qual o investidor não tem segurança para aplicar o dinheiro?
 
CBT - É comum repassarem fake news com pautas de cunho socioambiental? Como evitá-las ou combatê-las?
 
Emanuel Alencar - Bastante comum. Volta e meia eu me deparo com fake news ambientais em redes sociais. Imediatamente eu me posiciono, condenando a atitude de quem espalhou. Outro dia chegou a um grupo do Whataspp uma denúncia de "grave risco ambiental" no "lixão" de Seropédica (RJ). Assinatura do MBL. De cara notei que havia ali uma irresponsabilidade: primeiro que não detalhava que risco era esse, depois que trata-se de um aterro sanitário, que é completamente diferente de um lixão. Por sorte, em geral jornalistas que atuam há anos na área socioambiental têm muito zelo pelo uso correto das palavras, pelos termos adequados, se capacitam, estudam. Esse ainda pequeno exército ajuda a combater as fake news.
 
CBT - De que forma as entidades socioambientais e ambientalistas podem utilizar as plataformas digitais em prol da melhor comunicação da pauta? 
 
Emanuel Alencar - Do ponto de vista da divulgação de pautas e informações, o Whatsapp é algo fantástico. Encurta distâncias, ajuda o repórter na apuração. Vejo com otimismo o uso das redes para melhorar a comunicação.