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Energias sustentáveis no estado gaúcho

1. CIDADE BEM TRATADA - A matriz energética gaúcha se utiliza da geração hidrelétrica, por meio das usinas ou das pequenas centrais. A queima de combustíveis fósseis ou de biomassa vem em segundo lugar, representando cerca de 24% do total. O Estado não deveria investir mais em outros complexos de energias limpas ou renováveis?
 
Eberson Thimming - O Rio Grande do Sul, a exemplo do Brasil, tem situação privilegiada no que compete à matriz de produção de energia elétrica, onde 78,5% da potência instalada é de fontes renováveis (53,1% hídrica e 21,5% eólica e 3,9% biomassa) as quais participam com 92,1% da energia gerada (74,1% hídrica e 17,5% eólica e 0,5% biomassa) cabendo o restante às térmicas com fósseis (4,1% carvão e 3,8% demais). Cabe ressaltar que esses números consideraram a metade da potência instalada e da energia gerada pelas usinas de fronteira com Santa Catarina, instaladas no Rio Uruguai e a produção total foi a média anual (ago/18-ago/19). Importante salientar que a termelétrica Uruguaiana, que participa com 30% da potência térmica instalada, está impossibilitada de operar por falta de gás natural oriundo da Argentina.
As políticas e diretrizes do setor de energia são regulamentadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica e os investimentos são privados. A inserção de novos projetos na matriz gaúcha de produção de energia é realizada no ambiente de contratação regulada, através de leilões de energia, ou no ambiente de contratação livre, através de contrato entre produtor e consumidor. Há ainda a possibilidade de autoprodução. 
 
2. CIDADE BEM TRATADA - Quantos complexos de fontes renováveis existem hoje no Estado e qual a produção em MW de capacidade?
 
Eberson Thimming - O Estado conta com 1774 MW operando em 76 parques eólicos distribuídos em nove municípios, com produção média mensal de 460 GWh,  suficiente para abastecer 2,3 milhões de residências, outros 330 MW em 19 Termelétricas com biomassa, mais 188 MW em 15 mil projetos de geração distribuída (97% energia solar fotovoltaica) e 4531 MW em 127 hidrelétricas.
 
3. CIDADE BEM TRATADA - O Rio Grande do Sul tem dado incentivo à exploração do carvão mineral em meio a estas fontes de energia renováveis. Como avalia esta situação?
 
Eberson Thimming - O Rio Grande do Sul detém 89% das reservas brasileiras de carvão mineral e pode fazer uso desse recurso de maneira adequada, com tecnologias atuais que aumentam o rendimento térmico e reduzem o consumo específico, permitindo produzir a mesma quantidade de energia elétrica com menos combustível e menores emissões, para o sistema interligado nacional, dentro dos mais rígidos padrões ambientais. É muito importante manter a base térmica no sistema de produção de energia elétrica para garantir o fornecimento de eletricidade nos períodos de seca e/ou ausência dos demais recursos renováveis. 
Além disso, há também a possibilidade de utilização gás do carvão, através do processo de gaseificação, e fazer uso do gás natural sintético para produção de energia além de agregá-lo à rede de gás natural do Estado e aumentar a oferta deste energético que, há anos, sofre pela demanda reprimida. 
 
4. CIDADE BEM TRATADA - O senhor vai falar sobre o tema ‘O potencial e as oportunidades de utilização das energias renováveis do Rio Grande do Sul’ no Seminário Cidade Bem Tratada. Como vê esta chance de explicar o que está sendo feito no Estado nesta área?
 
Eberson Thimming - As Energias Renováveis têm excelentes perspectivas dentro do Rio Grande do Sul, para as quais o governo tem agido proativamente com políticas adequadas e publicação de quatro trabalhos que mostram os seus potenciais: Atlas Eólico (2002 e 2014), Atlas das Biomassas (2016) e Atlas Solar (2018). O governo prepara ainda a elaboração do Atlas dos Recursos Hídricos que avaliará o potencial de produção de energia elétrica. 
Segundo o Atlas Eólico Gaúcho, o potencial eólico do RS, para ventos acima de 7m/s e altura de 100m, em terra firme (onshore), é de 102,8GW, e mais 114,2GW sobre lagoas e oceano (offshore). Para ventos acima de 7m/s e altura de 150m, o potencial eólico gaúcho, onshore, é de 245,3GW. É o estado brasileiro com o maior potencial desse energético. 
Existe, no Estado, cerca de 9 GW de projetos eólicos em diferentes estágios de licenciamento ambiental, os quais trazem ótimas perspectivas e investimentos em áreas com grandes extensões e pouco povoadas, abrindo a possibilidade de fazer uso compartilhado do solo combinando as produções de energia e agropecuária e  proporcionando um ganho adicional aos proprietários dessas áreas em decorrência do arrendamento. 
A energia solar fotovoltaica está em franco desenvolvimento no mundo onde a capacidade instalada vem crescendo de forma exponencial alcançando 504 GW em 2018. É um mercado cada vez mais competitivo impulsionado pela diminuição dos preços dos equipamentos e dos aumentos dos preços da eletricidade. “Um diferencial desse energético é a possibilidade de se fazer projetos de qualquer tamanho em qualquer lugar onde haja sol”. O Rio Grande do Sul, a exemplo do Brasil, possui um mercado bastante promissor para a geração distribuída e tem se consolidado como o segundo estado brasileiro com a maior potência instalada desse segmento. Possui uma excelente malha de distribuição de energia, que abrange todo o seu território, políticas de incentivos à geração distribuída e várias empresas qualificadas em projetos fotovoltaicos. A irradiação solar horizontal média, em solo gaúcho (4,7kWh/m²/dia). Nas áreas consideradas aptas, para o aproveitamento da energia fotovoltaica, a irradiação solar média é 4,85kWh/m²/dia.Ainda, o Atlas das Biomassas mostra, em um dos cenários, que o potencial de produção diária de Biogás é 2,5 milhões de metros cúbicos e o de Biometano é de 1,5 milhões de m³.